
O Danúbio segue correndo, indiferente às histórias que atravessa.
Ao longo desse caminho, vemos impérios,
atravessamos cidades, tocamos diferentes tempos. Mas, sobretudo,, somos atravessados.

Porque viajar, no fundo, não é sobre lugares é sobre deslocamentos internos.
Essa viagem também deixa marcas. Nem todas aparecem agora.
Algumas só serão compreendidas depois. E talvez seja esse o verdadeiro sentido de partir:
Permitir que algo em nós se desfaça,
para que outra forma — ainda desconhecida — possa surgir.

Uma travessia pelo Danúbio que não é apenas geográfica . Um percurso que une duas paixões que me atravessam: a arte e a possibilidade de criar conexões profundas através do encontro.
Seguimos em grupo, pessoas que carregam histórias, olhares e silêncios próprios — e que, juntas, tecem algo maior do que a soma de suas partes.

Partimos da Alemanha onde Regensburg rege o inicio da sinfonia. Foi uma cidade imperial livre durante a maior parte da Idade Média. Isso significava responder somente e apenas ao imperador .

A cervejaria mais antiga da região de Regensburg, e do mundo em funcionamento, é a Weltenburger Klosterbrauerei, localizada no mosteiro de Weltenburg, fundada em 1050. A marca é famosa pela sua cerveja Barock Dunkel. Embora fundada em 1649, a cervejaria Bischofshof também é um marco histórico de Regensburg.

Seguimos navegando e vendo a beleza da primavera irrompendo o frio de inverno que ainda insiste em gelar o piso do nosso barco nas manhãs ensolaradas.

Passamos por cidades lindas como Passau e Dürenstein entramos na Áustria pelo encantador Vale do Wachau.

O Vale do Wachau é uma região de 40 km protegido pela UNESCO pela sua beleza natural repleta de pessegueiros floridos, nesta época de inicio de abril, e pelo excelente ambiente para o cultivo de videiras que produzem os melhores brancos da Áustria, principalmente Grüner Veltliner e Riesling.

Aqui um passeio de bicicleta pelas margens do Danúbio é a melhor maneira de se aproximar com calma da paisagem.


Passamos um dia em Viena e para cá voltaremos com toda a calma para curtir toda a arte que a cidade tem a oferecer.

Tem como figura emblemática e onipresente o Imperador Habsburgo Franz Joseph que foi o responsável pela reurbanização de Viena no final do século XIX e a construção do incrível anel viário Ring e seus prédios emblemáticos. Além é claro de ser o esposo da amada imperatriz Sissi.

Como facilitadora, me aproximo da Secessão de Viena não apenas como um capítulo da história da arte, mas como um gesto de ruptura e liberdade. Um convite a olhar o mundo — e a nós mesmos — de outra forma.

Nos deixamos guiar pelas personalidades intensas de Gustav Klimt, Egon Schiele, Koloman Moser e tantos outros que ousaram criar uma estética própria, onde arte e vida se entrelaçam.
O lema da Secessão de Viena (1897) é:
“A cada época a sua arte, a cada arte a sua liberdade”
(em alemão: “Der Zeit ihre Kunst. Der Kunst ihre Freiheit”)
“


Viena de 1900 foi um encontro de intelectuais que mudaram a forma de ver o mundo. E talvez seja isso que mais nos interessa aqui. Encontrar, nesses artistas, não apenas referências visuais — mas ressonâncias.
(Em seguida teremos um post somente com o tema de Viena 1900)
Passamos por Bratislava , a capital da pequena Eslováquia. A cidade medieval ainda respirava as festas de Páscoa. Seu lindo e onipresente castelo oferecia a beleza de uma feira Medieval , para nosso deleite.

Seguimos para nosso ultimo destino navegação , onde ainda temos o privilegio de ver a historia acontecendo in loco. Budapeste , capital da Hungria , estava linda e ensolarada , vivendo a troca de um governante quase ditatorial por meio do voto. Vivenciamos a saída de Viktor Orban do governo.

Mas Budapeste nos ofereceu mais , uma cidade imperial da época dos Habsburgo linda e limpa. Monumental em seus 1026 anos , é uma cidade histórica dividida pelo rio Danúbio em Buda (colinas, castelos) e Peste (área plana, agitada). Conhecida como “Paris do Leste”, oferece arquitetura impressionante, águas termais famosas e vida noturna animada.

Uma cidade que se renova com lindas obras de arquitetura que buscam resgatar a alma musical deste povo., como a Casa da Música da Hungria. Projetada pelo arquiteto japonês Sou Fujimoto, a obra é famosa por seu telhado flutuante perfurado que permite o crescimento de árvores através da estrutura, integrando natureza e arquitetura

Seguimos, então, não só observando — mas absorvendo.
E, quem sabe, transformando tudo isso em novos olhares, onde cada ponto carrega um pouco dessa travessia.

Porque viajar, no fim, é também isso:
permitir que o mundo nos transforme por dentro.