Viajando com Arte

Acompanhe Nossa Experiência descobrindo o Vietnã

Nossa viagem pelo Vietnã e Camboja começou por Hanói, uma cidade que surpreende logo no primeiro olhar — e conquista de vez com o passar dos dias. Há nela um delicado equilíbrio entre passado e presente: traços ainda vivos da colonização francesa convivem com a alma vibrante da Ásia contemporânea, criando uma atmosfera única.

Caminhar por Hanói é sentir uma vibração urbana diferente, casas com fachadas estreitinhas ( fruto das leis municipais francesas), com cascatas de verde pendendo das sacadas.

 

Visitamos lugares profundamente simbólicos, como o Templo da Literatura, onde história, espiritualidade e beleza se encontram em silêncio respeitoso. Ali, sentimos o respeito que os vietnamitas tem pela cultura até os dias de hoje, pois os estudantes ainda lá comparecem  para pedir uma benção antes de uma prova importante.

Mas Hanói também se revela nos detalhes do cotidiano — e foi sobre duas rodas que mergulhamos de vez na cidade. Em um animado tour de scooter, (que super recomendo) percorremos três pontos icônicos da comida de rua, provando sabores intensos, cheios de personalidade, daqueles que contam histórias sem precisar de tradução. A culinária vietnamita é absolutamente deliciosa e nos divertimos muito percorrendo a cidade a noite em Vespas com uma gurizada muito gente boa.

Visitamos ainda um pequeno vilarejo onde a seda é produzida artesanalmente, um encontro delicado de uma cultura ancestral que foi esquecida durante os duros anos de guerra e que foi resgatada recentemente. Experiências assim nos lembram por que viajar é também aprender a olhar com mais atenção.

Hanói é vibrante, caótica na medida certa, cheia de cafés charmosos, lugares descolados, ruas vivas e uma energia que pulsa o tempo todo. Para celebrar o início dessa jornada tão especial, nosso jantar de boas-vindas foi no clássico e elegantíssimo Hotel Metropole, um verdadeiro ícone da cidade — vale muito conhecer nem que seja para tomar um drink sob seus preguiçosos ventiladores de teto, pois parece que voltamos aos tempos coloniais da Indochina francesa. Fizemos muitos  brindes, não apenas à viagem, mas aos encontros, às descobertas e ao caminho que ainda estava por vir.

De Hanói, seguimos viagem rumo às montanhas de Sa Pa, e a mudança de paisagem foi quase cinematográfica. Aos poucos, a cidade ficou para trás e demos lugar a um cenário de tirar o fôlego: plataformas de arroz em tons de verde infinito, rios entre montanhas verdes.

O frio me pegou de surpresa, confesso que nunca imaginei pegar os 9 graus que pegamos em Sa Pa, mas foi legal, combinou com aquele clima de montanha.

Em Sa Pa, fomos recebidos por um hotel simplesmente sensacional. Um lugar que parecia suspenso no tempo, combinando com perfeição um elegante estilo art déco, cuidadosamente ambientado, com o conforto contemporâneo. Hospedar-se ali foi como fazer uma viagem no tempo — cada detalhe, cada espaço, cada vista convidava à contemplação e ao encantamento. Um daqueles hotéis que não são apenas hospedagem, mas parte essencial da experiência.

Caminhamos por dois vilarejos de etnias distintas, conhecendo de perto modos de vida profundamente ligados à terra e às tradições ancestrais. Entre os Hmong e os Dao (Red Dao), encontramos sorrisos tímidos, vestimentas coloridas, rituais cotidianos e uma relação com a natureza que nos fez refletir sobre o momento que estávamos vivendo, naquele lugar remoto, tão distante do nosso quotidiano. Foi um encontro genuíno, sem pressa.

Sa Pa nos ofereceu paisagem, memória e presença. Um contraste absoluto com a vibração de Hanói — e exatamente por isso, tão inesquecível.

A volta de Sa Pa para Hanói foi, por si só, uma experiência especial. Fizemos o trajeto em um trem noturno, daqueles com cabines e camas confortáveis — um tipo de viagem que eu particularmente amo. Viajar de trem tem algo de romântico e contemplativo, e talvez por não termos esse costume no Brasil, a experiência se torna ainda mais marcante. Dormimos embalados pelo movimento suave dos trilhos e, quando percebemos, já estávamos de volta a Hanói. A viagem simplesmente passou sem que sentíssemos.

Depois de um ótimo café da manhã e de um bom banho revigorante, seguimos de ônibus para conhecer uma das paisagens mais lindas — e mais icônicas — do Vietnã: Ha Long Bay.

Embarcamos em um barco muito legal, onde as cabines tinham sacadas privativas, permitindo que apreciássemos, em silêncio e sem pressa, a vista absolutamente impressionante daquelas montanhas verdes surgindo do mar. Um cenário surreal, que muda de luz e de humor ao longo do dia.

Durante os dois dias que passamos por lá, exploramos a região de bicicleta e visitamos fazendas de ostras, onde pudemos acompanhar e conhecer o processo das pérolas cultivadas ali mesmo. E é claro que a visita termina em uma grande loja, com muitas opções diferentes de pérolas.

Ha Long Bay é esse tipo de lugar raro: não apenas bonito, mas profundamente memorável. Uma paisagem que se grava na alma e que a gente sabe, no fundo, que vai levar para sempre.

Uma das passageiras do nosso grupo, a Silvana, me contou que queria vir ao Vietnã especialmente para conhecer Halong bay, e acho que ela não se decepcionou.

De Ha Long Bay, seguimos para Ninh Binh, o único lugar do roteiro onde eu nunca havia estado — e justamente por isso, uma das maiores surpresas da viagem. Ninh Binh tem uma beleza serena e poderosa. É impossível não se impactar diante das montanhas verdes, atravessadas por um rio que serpenteia entre elas, navegando em uma minúscula canoa a remo conduzida por uma mulher que levava de dois a quatro passageiros, e o passeio é longo, dura em torno de 2:30 h, lá pelas tantas pegamos os remos e ajudamos a canoa a deslizar.

Ali, vivemos uma experiência verdadeiramente especial, ao redor, montanhas impressionantes surgiam como esculturas naturais, criando um cenário absolutamente único.

Todo o complexo do passeio é muito bem organizado, com estrutura de apoio, lojas e restaurantes, mas nada disso compete com o que realmente atrai as pessoas até ali. A natureza é a grande protagonista — deslumbrante, silenciosa, envolvente.

Nosso hotel era ótimo, confortável e acolhedor, ideal para descansar depois de um dia tão intenso visual e emocionante. Ninh Binh entrou no roteiro quase como uma descoberta pessoal e saiu como uma daquelas memórias raras, que ficam.

Nosso último destino no Vietnã foi Hoi An, uma verdadeira joia. Uma cidadezinha encantadora, delicada, quase cinematográfica — conhecida como a cidade das mil lanternas. Suas ruelas estreitas, cheias de lojinhas, cafés charmosos e detalhes coloridos, convidam a caminhar sem rumo, apenas para sentir a atmosfera.

O mercado local, vibrante e autêntico, com frutas frescas e peixes recém-chegados, é daqueles lugares onde a vida acontece de verdade, sem filtros. Tudo em Hoi An parece quase um cenário daqueles que a gente quer fotografar cada recanto.

Na região rural ao redor de Hoi An, fizemos um passeio de bicicleta através dos arrozais.

Acho sempre válido ver um pouco da vida rural, ver de perto como as pessoas vivem de fato, sem o apelo do turismo.

Outro destaque foi a aula de culinária vietnamita, que foi deliciosa em todos os sentidos. O espaço, à beira do rio, era extremamente bem preparado, inserido em meio à natureza. Cada participante tinha seu próprio fogão, e aprendemos a preparar três pratos diferentes, entre risadas, aromas e muita troca. Depois, claro, almoçamos ali mesmo, celebrando o que havíamos criado juntos.

Hoi An também é famosa pelos seus ateliês de costura, e não decepciona. Ali, você pode levar aquela peça de roupa que ama, e eles reproduzem absolutamente igual, com rapidez e perfeição, sem falar na grande opção de sedas lindas com preços muito convidativos, a mulherada do grupo se lavou : )

Hoi An foi uma despedida doce do Vietnã: leve, colorida, saborosa e cheia de charme — exatamente como a viagem até ali.

No próximo post vou contar sobre a parte do Camboja onde visitamos os templos míticos de Angkor.

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